Apesar de tudo, ainda me encontro refém da saudade. Esses dias, por exemplo, me perdi, e só fui me achar naquela fria tarde de julho. Eu e você abraçados, debaixo da coberta, vendo filme. Eu e você. Nós. Sinto falta disso também. Porém deixamos de ser um só há muito tempo. Deixamos de pertencer um ao outro naquela nossa discussão. Acabou que cada um foi para um canto, e assim, em questão de segundos, voltamos a ser estranhos, não conheciamos mais um ao outro. Pelo menos eu não te conhecia mais. E mesmo assim, mesmo separados, mesmo como estranhos, eu sinto sua falta. Sinto falta do que nós éramos. E apesar de todos os poréns, eu ainda sinto você aqui comigo. Apenas não me pergunte o porquê.E talvez nós sejamos como linhas paralelas: nosso destino é seguir sempre juntos, lado a lado, porém, sem nunca se encontrar. (Laura Brisola)